/ governosp

Publicações | Destaques

Estação de chegada: 1922

Foto: Equipe SP Leituras

O ano de 2022 carrega duas efemérides de peso: o bicentenário da Independência do Brasil e o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. A primeira significa a rompimento com Portugal, antiga metrópole que se apossou e colonizou o país a partir de 1500.

Uma ruptura controversa, evidente, pois que capitaneada por um português, Pedro I, financiada a juros pela Inglaterra e sem participação popular.

A segunda foi anunciada, a seu tempo, como libertação intelectual do Brasil, cem anos depois da autonomia política. Tal exagero era parte da retórica dos modernistas, empenhados em conseguir espaço público e institucional. A independência para criar e interpretar tinha muito de metafórica, posto que os ideais vanguardistas pulsavam, por exemplo, antes da Europa branca que do pensamento miscigenado nacional. 

Além disso, a Semana de 22 não inventou a invenção entre nós, embora tenha sido, sem dúvidas, um dos principais capítulos inventivos de nossas artes cultas. Com a oficina Modernos, antes de 1922, Francine Ricieri revela, justamente, todo um legado moderno e experimental praticado, desde o século XIX, por nomes como Cruz e Souza ou Gilka Machado.

Nessas práticas literárias – e até comportamentais – parte daqueles que seriam modernistas, como Manuel Bandeira e Guilherme de Almeida, se formaram escritores. Isso nos leva a festejar a Semana numa chave crítica, percebendo seu valor enquanto enorme estação em que se cruzam diversas linhas, e não como partida inovadora materializada do nada.


Leia também

O Teatro além do Municipal

O projeto Literatura Brasileira no XXI destaca o dramaturgia modernista que, curiosamente, não constou do programa da Semana de Arte Moderna de 1922, embora ocorrida num Teatro Municipal. A ausência no emblemático evento, no entanto, não fez do gênero algo menos relevante no concerto da artes bras...

Leia Mais!
Modernismos em rede

O projeto Literatura Brasileira no XXI traz a renovação modernista enquanto tecido nacional de escritores, revistas e ideias. Com a oficina “Modernismos pelo Brasil: as poéticas dos anos 1920”, Leandro Pasini mostrou a Semana de Arte Moderna de 1922 não como deslocamento da hegemonia cultural d...

Leia Mais!
Coral de gritos: música e canção

Seguindo com a Semana de Arte Moderna de 1922, o projeto Literatura Brasileira no XXI destaca, em março, a música, justamente no mês de aniversário de 135 anos de Heitor Villa-Lobos. Protagonista musical da Semana, o maestro e compositor foi destaque na oficina “Do Modernismo à Tropicália: dife...

Leia Mais!
Uma semana muitos ângulos

O projeto Literatura Brasileira no XXI segue abordando o centenário da Semana de Arte Moderna de 22. A cada oficina de 2022 sempre um olhar renovado sobre o relevante evento. Evita-se, assim, narrativas romanescas – dois ou três gênios que decidiram o rumo das artes nacionais – ou mesmo anedóti...

Leia Mais!
E no Dia do Palhaço tem poesia

O Dia Universal do Palhaço é celebrado em 10 de dezembro. A palavra palhaço, com suas variantes, é tão presente quanto controversa em nossa cultura. Se essa figura, com sapatos maiores que os pés, é sinônimo de festa, também pode servir de ofensa. Por isso mesmo, o palhaço caminha feito a enc...

Leia Mais!
Luiz Gama: vacina antirracismo

Uma vez mais, o portal Literatura Brasileira no XXI destaca o 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, sob o símbolo de Zumbi dos Palmares. E quantas vezes mais será preciso frisar o significado dessa efeméride? Com tantas balas perdidas que preferem achar corpos negros, com tamanha inflação que...

Leia Mais!