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Modernismo veste

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O projeto Literatura Brasileira no XXI destaca algo às vezes esquecido quando pensamos em arte: com que roupa um artista andava ou como o figurino compunha sua imagem publica? Na década de 1920, quando o vestir era algo antes personalizado que industrial, os trajes codificavam classes sociais, traduziam posições hierárquicas. Daí funcionarem, hoje, como um dos traços importante para entendermos aquela sociedade.  

Na oficina “O guarda-roupa modernista”, a professora Carolina Casarin trouxe a moda para o debate do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. Autora de livro luminoso sobre o assunto, O guarda-roupa modernista: o casal Tarsila e Oswald e a moda (2022), ela interpretou a dinâmica do modernismo brasileiro, inclusive em suas contradições, a partir não apenas da descrição de roupas, mas do papel que a alta costura desempenhou nas vanguardas.

O vestuário que Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade usavam em exposições, lançamentos e saraus confirma, por exemplo, que foram gente da classe dominante paulista. Além disso, tipos humanos retratados por Tarsila, assim como personagens figuradas em poemas e romances de Oswald, trazem corpos com roupas. São vestidos confeccionados em Paris, ternos da juventude rentista americana ou a indumentária popular dos menos favorecidos.

Os debates e materiais ora apresentados convidam, assim, a olharmos a iconografia do período de modo menos ilustrativo. Educa nossa percepção para o protagonismo da moda nas relações entre artistas, nas suas concepções estéticas e dentro das obras modernistas. Convida a notar, finalmente, que vestimos a nossa própria identidade.

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