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O videoclipe dá sua letra

Freepik / Frimufilms.

Algumas pessoas vão olhar para essa oficina – “O lugar LGBTQIA+ no videoclipe brasileiro contemporâneo” – e não vão entender nada. Como assim videoclipe num site sobre “Literatura Brasileira no XXI”? Outras tantas, mais irônicas talvez, podem dizer que pelo menos o recorte temporal está correto: os clipes apresentados são todos desse século em que estamos. E se as pessoas irônicas forem também generosas, elas saberão que, às vezes, estar um pouquinho certo é o que basta. Contudo, é importante dizer, não é o caso aqui, e a Biblioteca Parque Villa-Lobos acertou na mosca quando encampou a oficina ministrada pelo professor Rodrigo Ribeiro Barreto. Não se trata sequer do tema, este sempre urgente, hoje como nunca. Ao trazer para o primeiro plano o lugar LGBTQIA+ numa mídia com tanto impacto quanto o videoclipe (que, ao contrário do que se pensa, vai muito bem, obrigado), Barreto apresenta também um processo de construção social de uma autoimagem própria, orgulhosa de si. Como se vê, nada mais adequado para o mês de junho. 


Mas não é só no tema que se acerta. Imaginar que literatura diga respeito apenas à palavra escrita é de uma restrição sem tamanho, equivocada já há algum tempo. As manifestações folclóricas de caráter oral, para ficar num exemplo mais fácil, também fazem parte do acervo literário brasileiro. É igualmente o caso dos slams, para trazer um exemplo urbano. Nesse sentido, os videoclipes são narrativas audiovisuais através das quais sentidos do mundo são disputados. E, como Barreto mostra, no espaço do videoclipe, ninguém soube fazê-lo tão bem quanto a comunidade LGTBQIA+.

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