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Para se fazer ouvir e ler

Julie Dorrico. Foto: Divulgação.

Em plena pandemia, que já consome um ano e meio de nossas vidas, isso sem contar aquelas criminosamente ceifadas para sempre, a Biblioteca Parque Villa-Lobos, em mais uma edição das oficinas de literatura, une a ancestralidade da literatura indígena à modernidade dos cursos à distância. Mas nada dos lugares comuns entre primitivo e avançado ou qualquer coisa que o valha. Como Julie Dorrico bem fala, são formas escolhidas e aproveitadas por representantes das populações originárias, junto com o livro e a escrita alfabética, de se fazerem ouvir.

E o recado dado é mais do que urgente. Não se trata apenas das denúncias de uma violência genocida e secular, nem da afirmação de vida e resistência, mas da sua combinação, que enforma toda uma visão de mundo, com a qual é indispensável aprender. O duplo signo da ameaça constante e da tenacidade necessária é a forma de vida e imperativo ético contemporâneo por excelência.

A oficina “Indianismos na Literatura Brasileira”, ministrada pelo professor Fábio Martinelli Casemiro, trouxe para primeiro plano o território de disputas que a figura do indígena tem ocupado no imaginário brasileiro, desde o século XIX, quando foi apropriado como ferramenta de construção de uma identidade nacional, até a contemporaneidade, momento em que novos autores e novas autoras assumiram o protagonismo das suas próprias histórias, denunciando o genocídio que os povos originários têm sofrido e reconstruindo as linhas de sua ancestralidade.

Nesse processo, a crítica literária, como mostrou Fabio Casemiro, é ferramenta fundamental de compreensão desse fenômeno, como fica claro nos textos disponibilizados. Somente por meio da leitura cuidadosa é que se pode inferir todas as contradições desse processo de apagamentos, violências e sobrevivências.

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