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Quem quer brincar de livro? - Literatura Brasileira no XXI

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Quem quer brincar de livro?

Foto: Equipe SP Leituras

Livros costumam ser caixinhas de surpresas sensoriais e imagéticas. Em aulas, estudos ou leituras compartilhadas, comentamos muito a narrativa ou a temática de um volume. Falamos, ainda, da forma desse conteúdo, se é bonito ou feio, estranho ou agradável, tocante ou engraçado.

Mas livro também é objeto e às vezes objeto de arte, por sua beleza física. Livro tem cheiro, tamanho, paleta. Para criancinhas tem até sabor... Faz diferença ler um capítulo de Graciliano Ramos em papel jornal, em letras miúdas? A leitura é mais gostosa se o papel for grosso, táctil, palavras espaçadas com desenhos de Aldemir Martins?

Em muitos casos, não apenas faz toda diferença como a materialidade do livro é sua própria identidade. É o que buscou discutir Fabiano Fernandes Garcez na oficina "Um brinquedo chamado livro: as possibilidades do livro infantil que extrapolam a narrativa escrita". Dela, brotaram mil reflexões que, sem ignorar o conteúdo verbal, revelaram que cores, formas e gramaturas influem na percepção do leitor.

Tudo isso entra em jogo em livros ditos adultos, tais como "Vidas secas". Mas na arte de fazer livros infantis, parece imprescindível que a palavra impressa conte com sugestões de volume e profundidade. Páginas de Lygia Bojunga Nunes ou Antonio Prata funcionando como salão de festa para olhos, corações e mentes. Neste mês em que temos o Dia Nacional do Livro Infantil, em 18 de abril, venha brincar de livro!


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