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Publicações | Criação Literária

Arquitetura modernista

Marcelo Dacosta

O que é moderno, é moderno por acaso? 

Para responder essa pergunta, o arquiteto, poeta e professor Humberto Pio convidou os participantes da oficina on-line Moderno por Acaso? Literatura e Arquitetura, realizada em quatro encontros entre os dias 5 e 26 de abril organizados pela Biblioteca Parque Villa-Lobos, para fazer um passeio pelas ruas de São Paulo no início do século XX e desvendar os conceitos arquitetônicos presentes nas casas, hotéis, edifícios e teatros da época. Os locais foram cuidadosamente selecionados por abrigar a nata dos pensadores e articuladores da Semana de Arte Moderna de 22. 

Mesclando a leitura de trechos de obras de escritores, como Mário de Andrade, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, com a explicação do contexto histórico e social em que cada construção foi erguida, Humberto Pio conta que a arquitetura moderna surge a partir do estilo neoclássico e é algo que vai ganhando novos contornos aos poucos. Como exemplo, apresenta as fotos e os croquis expostos no saguão do Theatro Municipal de São Paulo, apresentados como expoentes do modernismo durante a semana de 22. As obras eram do espanhol Antonio Garcia Moya e do polonês Georg Przyrembel, ambas apresentadas pelos organizadores como inovadores, mas que incorporavam ainda muitas referências neoclássicas europeias e coloniais brasileiras. 

O olhar puramente modernista chega ao Brasil pelas mãos do arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik, em 1923, que projetou o que é considerada a primeira casa modernista do país, localizada na Rua Santa Cruz, na Vila Mariana, em São Paulo (SP), hoje transformada em parque e reconhecida como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O arquiteto também é o autor do 1º Manifesto Modernista da Arquitetura, publicado em 1º de novembro de 1925, no jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. No texto, Warchavchik critica o uso excessivo de “decorações” presentes na fachada dos projetos e preza pelo conforto e iluminação natural. 

O ucraniano foi responsável por outro feito histórico ao levar a nata da sociedade paulistana para ver a exposição de seu novo projeto modernista, a famosa casa da rua Itápolis, no Pacaembu, inaugurada no dia 26 de março de 1930. O evento, gravado em vídeo preto e branco e recuperado pela FAU/USP, contou com a presença de Mário de Andrade, em um dos raros registros do escritor. 

Seguindo o processo evolutivo da arquitetura proposto por Humberto Pio, os passos desses arquitetos somados aos trabalhos inspiradores do suíço Le Corbusier trouxeram ares novos para as edificações brasileiras e inspiraram uma leva de seguidores, como Lúcio Costa e Lina Bo Bardi. Dentro desse contexto existem momentos de altos e baixos, sendo a arquitetura descrita ora como causa, como uma ideia de uso coletivo, ora como simples apelo visual. “No momento estamos praticamente reféns, ninguém está pensando no desenvolvimento das cidades no Brasil e olha que nossos problemas urbanos são extremamente graves, a começar pelo saneamento básico”, destaca Humberto Pio. 

Para quem deseja se aprofundar um pouco no assunto, o arquiteto indica os livros Modos de Morar nos Apartamentos Duplex, de Sabrina Studart Fontenele Costa; e O Corpo Encantado das Ruas, de Luiz Antonio Simas; o filme “Meu Tio”, de Jacques Tati; e o documentário “AmarElo – É tudo para ontem”, do rapper Emicida. 

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