/ governosp

Publicações | Crítica

Carina Carvalho compartilha dicas sobre a criação de resenhas literárias

Foto: Daisy Serena

Mestra em Estudos Literários pela UNIFESP, Carina Carvalho defende que a resenha literária tenha seu espaço em formatos diferenciados para os vários canais disponíveis para a publicação destes textos. Na oficina “Críticas sem crise: da poesia à prosa”, realizada em junho dentro da programação online da Biblioteca de São Paulo (BSP), ela compartilhou a análise de exemplos e indicou referências que podem enriquecer sua experiência na criação de conteúdos. Carina é poeta, trabalha com edição e revisão de materiais didáticos e de aprendizagem socioemocional. Ela assina a série poética “Ensaio para sair de casa”, que integrou a coletânea do II Prêmio Ufes de Literatura e é autora dos livros de poemas “Marambaia”, “Passiflora” e “Corpo clareira”.

Para ela, as resenhas merecem e devem constar em sites, revistas digitais e impressas de literatura (além das revistas científicas) e mídias digitais, destacando as redes como Facebook e Instagram. O conteúdo, porém, como adverte, deve ser construído de diferentes formas para cada um destes meios. E, para exemplificar, Carina mostrou uma resenha sobre obra de Lygia Fagundes Telles no site Literatamy, de Thammy Ghannam, uma sobre “Memórias da plantação”, de Grada Kilomba, no Instagram @umacertagabi, de Gabi Barbosa, além de vídeos nos canais do YouTube da própria Thamy (sobre o livro “Por cima do mar”, de Deborah Dornellas) e de B de Barbárie, de Bárbara Kraus (sobre “Olhos d´água”, de Conceição Evaristo).

A especialista no tema destaca que há semelhanças e diferenças entre os conteúdos, principalmente em relação ao tamanho do texto e às escolhas dos itens a abordar. Para Carina, antes de escrever um destes artigos, o autor deve prestar atenção à estrutura da construção dos argumentos, em especial. Entre as dicas compartilhadas por ela, ficam aqui algumas delas, para que você, se quiser, faça suas primeiras experiências em resenhas em casa: leia a contracapa da obra, os textos de orelha, apresentação e prefácio (há quem prefira não enveredar por estes itens imediatamente, como diz); pesquise sobre o autor/autora (entrevistas, trajetória, receptividade de outras obras da carreira, contexto do lançamento ou da trama); leia outras resenhas e análises da mesma obra (às vezes, encontra outros aspectos a desvendar) e tenha cuidado com spoilers (ou “pontos de virada” do título em questão).  E lembre-se, como diz Carina: resenha não é resumo; tem que haver um elemento crítico ou analítico da obra.


Leia também

Um Brasil Sonoro: do Modernismo à Tropicália

A paisagem sonora brasileira se construiu por um conjunto de ambiguidades, multiplicidades e contradições, entre a consciência de projeto e suas realizações. Os encontros da oficina “Do Modernismo à Tropicália: diferentes modos de escutar canção e música brasileira”, se concretizaram, um ...

Leia Mais!
Sons do Brasil

Oficina com Gustavo Bonin mostra a influência do Modernismo e da Tropicálica na construção do Brasil sonoro.Se tem algo que realmente embalou a Semana de Arte Moderna de 1922 foi a música. Entre as diversas apresentações realizadas nos três dias de evento, os concertos dominaram a maior parte ...

Leia Mais!
Semana de Arte Moderna – por outros caminhos

Quando meu amigo e colega Pedro Marques me convidou para integrar o projeto Literatura Brasileira no XXI com uma oficina sobre a Semana de Arte Moderna, senti a alegria e a responsabilidade de levar ao público reflexões sobre o evento e seu papel no processo de renovação da cultura brasileira. Assi...

Leia Mais!
A Semana de Arte Moderna sob o viés das revistas literárias

Na oficina A Semana de Arte Moderna por Outros Caminhos, realizada nos dias 7, 8, 9 e 10 de novembro, na Biblioteca Parque Villa-Lobos, a professora de literatura brasileira da Unifesp, Mirhiane Mendes de Abreu, propôs um olhar diferenciado sobre o movimento modernista de 1922. Em vez de pesquisar as ...

Leia Mais!
A modernidade do século XIX

Modernos, antes de 1922. O objetivo da oficina ministrada pela professora de literatura da Unifesp, de Guarulhos, Francine Fernandes Weiss Ricieiri e realizada nos dias 6, 13, 20 e 27 de novembro, foi mostrar aos participantes que a ideia de modernidade na literatura brasileira começou bem antes do mo...

Leia Mais!
Modernos, antes de 22

Uma oficina que pudesse pensar a modernidade, no Brasil, nas últimas décadas do século XIX. Talvez pareça paradoxal – e é. Modernidade implica mergulho em paradoxos que apagam ou embaralham limites e fronteiras: os limites entre nacionalismo e cosmopolitismo, os limites entre tradição e aceler...

Leia Mais!