Publicações | Destaques

Arquitetura literária

Foto: Reprodução

O projeto Literatura Brasileira no XXI fala, este mês, sobre as relações entre literatura e arquitetura modernistas. A Semana de Arte Moderna de 1922 não apresentou obras ou projetos arquitetônicos. Mas as conexões aconteceram por diversas vias. O apreço de alguns modernistas pelo casario de Ouro Preto, cidade que inspirou páginas, quadros e até guias poéticos. Escritores, como Manuel Bandeira, que estudaram arquitetura. Arquitetos como Oscar Niemayer que foram leitores confessos de modernistas. 

Na oficina “Moderno por Acaso? Literatura e Arquitetura”, Humberto Pio mostrou como as ideias modernistas, desde sua gestação a partir de 1917, nasceram num espaço de arquitetura definida: a cidade de São Paulo. Anita Malfatti expôs seus quadros no número 11 da Rua Libero Badaró. Mario de Andrade figurou logradouros existentes pela Pauliceia Desvairada. Ou seja, os atores e mesmo a arte modernista literalmente circulavam pela metrópole que se reinventava.

Humberto, além disso, é arquiteto de formação e poeta por decisão. Vem estudando e produzindo projetos arquitetônicos. Tem criado seus livros e arquitetado edições de outros escritores. Nesse sentido, trouxe para atividade essa conexão prática, literatura-arquitetura, tão comentada, metaforicamente, em nomes como João Cabral de Melo Neto e Joaquim Cardozo. 

Assim, as produções da oficina sugerem espaços, dos mais privados, guardados por fechaduras, até os mais coletivos, como brincadeiras de rua, bairros e estabelecimentos comerciais. Por tais espaços – demolidos, preservados ou reformulados – caminhamos mais que um corpo, vamos arquitetando histórias e sentimentos do que somos. 

Leia também

América Latino-Modernista

O projeto Literatura Brasileira no XXI descortina o modernismo em língua espanhola pelas Américas. Antes da Semana de 1922, países próximos e às vezes fronteiriços já chamavam a arte que produziam de modernista. O escritor nicaraguense Rubén Dário empregava o termo desde 1888. Ano da Lei Á...

Leia Mais!
O Teatro além do Municipal

O projeto Literatura Brasileira no XXI destaca o dramaturgia modernista que, curiosamente, não constou do programa da Semana de Arte Moderna de 1922, embora ocorrida num Teatro Municipal. A ausência no emblemático evento, no entanto, não fez do gênero algo menos relevante no concerto da artes bras...

Leia Mais!
Modernismos em rede

O projeto Literatura Brasileira no XXI traz a renovação modernista enquanto tecido nacional de escritores, revistas e ideias. Com a oficina “Modernismos pelo Brasil: as poéticas dos anos 1920”, Leandro Pasini mostrou a Semana de Arte Moderna de 1922 não como deslocamento da hegemonia cultural d...

Leia Mais!
Coral de gritos: música e canção

Seguindo com a Semana de Arte Moderna de 1922, o projeto Literatura Brasileira no XXI destaca, em março, a música, justamente no mês de aniversário de 135 anos de Heitor Villa-Lobos. Protagonista musical da Semana, o maestro e compositor foi destaque na oficina “Do Modernismo à Tropicália: dife...

Leia Mais!
Uma semana muitos ângulos

O projeto Literatura Brasileira no XXI segue abordando o centenário da Semana de Arte Moderna de 22. A cada oficina de 2022 sempre um olhar renovado sobre o relevante evento. Evita-se, assim, narrativas romanescas – dois ou três gênios que decidiram o rumo das artes nacionais – ou mesmo anedóti...

Leia Mais!
Estação de chegada: 1922

O ano de 2022 carrega duas efemérides de peso: o bicentenário da Independência do Brasil e o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. A primeira significa a rompimento com Portugal, antiga metrópole que se apossou e colonizou o país a partir de 1500.Uma ruptura controversa, evidente, pois qu...

Leia Mais!
Governo do Estado de SP