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Luiz Gama: vacina antirracismo

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Uma vez mais, o portal Literatura Brasileira no XXI destaca o 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, sob o símbolo de Zumbi dos Palmares. E quantas vezes mais será preciso frisar o significado dessa efeméride? Com tantas balas perdidas que preferem achar corpos negros, com tamanha inflação que faz mais vitimas entre famílias negras, urge batermos sempre na tecla: é preciso reconhecer e agir contra o racismo à brasileira.

Nada mais apropriado, para essa tarefa, do que uma oficina sobre Luiz Gama, esse herói negro do século XIX que segue inspirando a luta pela igualdade racial no Brasil. Ler sua prosa e seus versos, refletir a partir daí sobre a estrutura escravocrata de nossa sociedade, não nos enganemos, é uma das coisas mais contemporâneas que podemos experimentar enquanto leitores.

Luiz Gama, ainda antes de Lima Barreto, descortinou o nacionalismo faz de conta do Império, depois retificado e até turbinado pelo primeira República, que ele não chegou a ver. Mas Gama sempre soube da inviabilidade de qualquer projeto nacional sem a participação dos negros e seus descendentes. Um pais que escolhe escravizar e explorar uma parte substancial de sua população jamais será democrático, jamais gozará de paz social.

E para sorte do nosso projeto, a oficina dedicada ao tema foi ministrada por ninguém menos que Ligia Fonseca Ferreira, hoje a principal estudiosa de Luiz Gama. Com “Inspiração Luiz Gama: escrever sobre si, o Brasil e o mundo hoje”, ela demostrou quão atuais são as bandeiras defendidas pelo grande abolicionista.

É aterrador e necessário conhecer, a partir da leitura do agudo escritor, que ainda não somos uma república racialmente democrática. Felizmente, hoje temos o trabalho de Ligia Ferreira e mesmo o filme de Jeferson De para tomarmos essa poderosa vacina antirracismo: Luiz Gama!

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