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Modernismo em português: três continentes

Em dezembro, o projeto Literatura Brasileira no XXI conclui o ciclo de oficinas conectadas à Semana de Arte Moderna de 1922. Foram ao todo doze, sempre tratando os mais diversos aspectos, dos antecedentes, passando pelo impacto do evento na imprensa da época, até sua influência em outros países das Américas. 

Para finalizar, a oficina “Ecos literários do modernismo: Portugal e Moçambique”, ofertada pelas professoras Simone Nacaguma, estudiosa da literatura portuguesa, e Carina Carvalho, pesquisadora da literatura moçambicana. Por mais necessárias, as relações modernistas entre os três países são ainda pouco óbvias ao leitor brasileiro. 

Para além dos laços históricos, de um Brasil e de um Moçambique ex-colônias de Portugal, os trânsitos culturais foram e seguem intensos. Nos séculos XX e XXI, surgem como relevantes, por exemplo, os temas ligados à nacionalidade de cada uma das três nações, definidas a partir do passado colonial. 

É o Portugal moderno que se reinventa enquanto estado europeu sem colônias. É o Moçambique que busca sua identidade dentro de um enorme continente multicultural que é a África. É o Brasil que em 1822 se emancipa politicamente, que em 1922 quer se recriar culturalmente e que agora, em 2022, repensa seu passado mirando o futuro. 

Escritores dos três países têm cada vez mais dialogado, não apenas pessoalmente, mas partilhando e desenvolvendo, cada um a seu estilo, essa língua literária lusa, o primeiro idioma globalizado do planeta. Eis uma janela aberta a trocas e reflexões inestimáveis. Venha dar uma espiada, leitor!


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