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Modernismos em rede

Foto: Reprodução

O projeto Literatura Brasileira no XXI traz a renovação modernista enquanto tecido nacional de escritores, revistas e ideias. Com a oficina “Modernismos pelo Brasil: as poéticas dos anos 1920”, Leandro Pasini mostrou a Semana de Arte Moderna de 1922 não como deslocamento da hegemonia cultural do Rio de Janeiro para São Paulo, mas como sintoma de uma proliferação de muitos centros simultâneos pelo país. 

Com sua pujança econômica, uma população em franco crescimento, São Paulo, evidente, destacou-se na circulação dos intentos modernistas. Atraindo enormes empreendimentos industriais, agrícolas e imobiliários, a cidade surgia finalmente como potência cultural, posição ocupada no passado apenas por localidades como Salvador, Outro Preto (quando Vila Rica), Recife e, sobretudo, Rio de Janeiro. 

Mas em vez de mostrar São Paulo como novo polo ideológico, preferiu-se abrir uma perspectiva ainda pouco explorada: a de que os modernismos não teriam se fixado sem o trabalho de muitos grupos que, cheios de especificidades e divergências, plantaram e colheram novas maneiras de se criar e pensar literatura e cultura no Brasil.

Desviando da suposta peleja Rio-São Paulo, que se existiu não foi o que instalou as novidades de Porto Alegre à Belém, Pasini enquadra um ambiente mais exuberante que as narrativas que temos lido na impressa, por ocasião do centenário da Semana. Em lugar da seleção dos paulistas contra a dos cariocas, o professor e pesquisador descortinou outros caminhos, com gentes e questões ainda a serem sondadas a fundo.

Os participantes tiveram notícias, para além dos tubarões já reconhecidos, de outros peixes, como o paulista Tácito de Almeida, o pernambucano Ascenso Ferreira,  o carioca Prudente de Moraes (o neto), o gaúcho Augusto Meyer, o mineiro Emílio Moura ou a paraense Eneida. Um cardápio nada convencional, com diálogos de mãos duplas, triplas ou quádruplas. Modernismos em rede! 


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