Edições anteriores

  • Vozes Discentes
    n. 1 (2021)

    Editorial

    A revista Cadernos Acadêmicos: conexões literárias  constitui-se como produto do projeto de extensão intitulado Literatura Brasileira no XXI: cadernos acadêmicos, o qual é fruto do convênio de cooperação técnica estabelecido entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a SP Leituras - Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura.

    O projeto da revista configura-se como um laboratório de produção editorial, de modo que os discentes possam vir a contribuir não apenas com a publicação de seus textos, sendo usuários da revista, mas também no processo de edição, atuando em conjunto com docentes em todas as fases editoriais de uma revista acadêmica. A revista possui um conselho editorial formado por professores e pesquisadores de diversas instituições brasileiras e estrangeiras e conta com o apoio institucional do programa de pós-graduação em Letras da Unifesp.

    Esse periódico constitui-se como espaço de divulgação da produção acadêmica de docentes, discentes e pesquisadores em geral sobre literatura contemporânea, com ênfase  na produção brasileira no século vinte e um, bem como sobre as demais literaturas de língua portuguesa. Além disso, incorpora reflexões com perspectivas contemporâneas sobre as literaturas produzidas em outras línguas e em outros tempos e em diálogo com outras artes, acolhendo artigos, ensaios, relatos de experiência, depoimentos, resenhas, entrevistas, traduções e criação literária, de acordo com as seguintes categorias: Literatura Brasileira;  Literaturas de Língua Portuguesa; Literaturas em outras línguas em diálogo com as literaturas de língua portuguesa; Literaturas de outros tempos em diálogo com as literaturas de língua portuguesa; Literatura e suas relações com outras artes e linguagens; Ensino de literatura, leitura e mediação.

    Em consonância com os objetivos do projeto de extensão de que é fruto, o primeiro número procura lançar luzes sobre a produção de pesquisa de alunos e alunas, quer seja em nível de graduação ou pós-graduação, em razão disso, justifica-se a escolha do nome Vozes Discentes para o seu volume de estreia.

     

  • Vozes Discentes II
    n. 2 (2022)

    Editorial 

    Com este segundo número, a revista Cadernos Acadêmicos: conexões literárias consolida-se como um dos principais produtos acadêmicos do projeto de extensão Literatura Brasileira no XXI: cadernos acadêmicos, por sua vez, parte do convênio de cooperação técnica estabelecido entre a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura.

     No passado, reflexões e resultados acadêmicos cumpriam seu papel se permitissem a formação e o diálogo localizado num departamento, núcleo ou grupo de pesquisa. Hoje, a pesquisa científica supõe publicação e divulgação do conhecimento produzido em todos os níveis: graduação, extensão e pós-graduação. Com isso, consolidou-se a ideia de que os trabalhos, realizados em sala de aula ou em laboratórios, devem transcender a relação entre pesquisadores e orientadores. Eles  devem, pois, buscar a interlocução com um público mais amplo para além da academia e, sobretudo, consolidar a missão fundamental da universidade com a formação de professores e o diálogo direto com a educação básica.

     Como a pesquisa tem sido cada vez mais realizada em rede, todo pesquisador experimenta seus métodos e inquirições acompanhando sucessos e falhas de seus pares. Vai longe a ideia de pensadores solitários, correndo o risco de desenvolverem técnicas e interpretações concomitantes sem se conhecerem, sem se ajudarem ou mesmo colaborarem.  Mas o presente impõe ao menos dois desafios.

     O primeiro é a hiper produção de artigos ou relatos de pesquisas como mera contabilidade acadêmica, numa espécie de busca desenfreada de dividendos científicos que não  necessariamente redundam em inovação, ou sequer ampliam a  visão de mundo dos agentes da ciência. É quando a lógica de mercado, sem regras e balanças de qualidade e impacto social, toma conta até de espaços que deveriam, por natureza, questioná-la. Ora, quando propomos um modelo de revista em que alunos e pesquisadores convertam-se em leitores uns dos outros, uns servindo de modelo ou degrau para os outros, buscamos criar uma comunidade viva de pesquisa e reflexão, uma rede cuja amplitude, vale destacar, congrega estudantes e pesquisadores de diferentes instituições nacionais e internacionais, promovendo assim o diálogo e o intercâmbio que vem contribuir também para a desterritorialização do conhecimento.

    O segundo é sublinhar o caráter coletivo e até mesmo comunitário da produção de conhecimento. Nesse sentido, uma geração de pesquisadores é sempre necessariamente devedora e continuadora (e questionadora) das gerações que a antecederam. O saber novo, as perspectivas inusitadas, assim como a partilha de conquistas e lugares assentes, todos esses processos só se viabilizam dentro de um campo consolidado, em que se estabelecem diálogos, incorporam-se contribuições e observam-se possibilidades de ruptura. É nessa chave que a entrevista realizada com o professor Paulo Franchetti pode ser lida, ao explicitar os processos e o longo tempo investido na elaboração de uma dicção própria ou de um modo particular de ler e construir conhecimento sobre poesia. Que é, ainda, o reconhecimento (de sua parte) dos mestres e pares que o alimentaram e inspiraram, bem como a continuidade de um magistério bem ilustrado na relação com os entrevistadores, por sua vez formados no convívio real ou de letras com o ensino do entrevistado. 

    A edição formaliza, assim, a convicção naquele caráter coletivo e comunitário do conhecimento e resgata, afetuosamente, na figura desse mestre, o tipo de relação acadêmica e pessoal que acreditamos vitalizador da instituição universitária.